terça-feira, 3 de outubro de 2017

Notas Sobre Modificar D&D

12:00:00 Escrito por Lucas Rodrigues , , , No comments
Esse artigo é voltado para aqueles que gostam de modificar e criar os próprios sistemas de RPG, relatando minha experiência ao tentar hackear D&D.

Tenho dois amigos que a certo tempo começaram a jogar RPG com meu grupo, e um deles disse que gostaria de ter a experiência de jogar D&D em algum momento. Infelizmente, eu não sou o maior fã do sistema. Mas eu gosto de hackear jogos e tentar adicionar coisas diferentes ou mudar o que não me agrada, então tomei como desafio pessoal tentar criar um D&D que funcionasse para mim. Mesmo que no final das contas eu tenha falhado e esteja narrando meu novo jogo em um hack de World of Dungeons (versão em português aqui), ainda acho que algumas das ideias que tive e das leituras que fiz no processo possam ser uteis de compartilhar.

Claro, na hora de modificar, coloquei algumas regras para me limitar e evitar tornar o jogo em algo irreconhecível. Continuar usando d20 como modo de resolver conflitos, continuar tendo pontos de vida e dados de dano, defesa passiva, manter atributos, monstros ainda rolarem, etc.

Atributos

Embora eu tenha decidido manter a ideia, os seis atributos clássicos de D&D saíram de cena rapidamente, principalmente porque Constituição sempre me pareceu um atributo de pouca utilidade, e eu não concordo com a diferença entre Inteligência e Sabedoria. Físico passou a englobar Força e Constituição, Destreza se manteve, Astúcia englobou Inteligência e a parte de atenção em Sabedoria, e Presença somou Carisma e a parte de resistência mental de Sabedoria.

Eu também decidi retirando os valores e usar apenas os modificadores. Depois acabei encontrando uma uma ideia que me agradou mais. Antes de falar dela, preciso falar sobre defesas e armadura.

Defesas e Armadura

Primeiro, não gosto da ideia de que em alguns casos, um inimigo tenta te acertar (classe de armadura), enquanto em outros, você tenta evitar que ele te acerte (teste de resistência). Segui a rota do D&D 4 nesse caso, e transformei todos os valores em defesas a serem batidas, uma para cada atributo. Armadura, em vez de te tornar mais difícil de ser atingido, passou a ser redução de dano. Embora eu tenha usado os valores em números pares por um tempo, uma simples progressão de 1, 2 e 3 parece funcionar melhor.

Defesas seriam modificadas por atributo, raça, classe e nível, mas então lendo um hack francês de D&D chamado Epées & Sorcelerie, me ocorreu uma ideia mais interessante: E se eu mantivesse atributos e modificadores, e usasse o valor do atributo puro como valor de defesa? Dessa forma, um personagem com 16 de Destreza teria +2 em suas rolagens e só seria atingido com 16 ou mais.

Raças

Não sou fã da forma como D&D trata raças. Os bônus de atributo fazem com que a escolha de raça seja um complemento para a sua classe mais do que uma ideia de história em si, e os bônus que são significativos no primeiro nível logo vão desaparecendo no meio do mar de bônus ganhos pela classe. Mudei as raças para que elas dessem escolha entre algumas habilidades conforme o personagem ganha níveis, aumentando assim a importância delas tornando mesmo dois personagens da mesma raça diferentes mecanicamente.

Níveis e Classes

Ok, D&D usa dados de 20 lados e 20 níveis, mas no final das contas, tudo o que isso consegue é gerar números que crescem mais e mais, sejam bônus ou pontos de vida. Decidi por diminuir os níveis do meu hack para 10, porque é um número tão bom quanto qualquer outro.

As classes passaram por diversas versões, algumas com tantas quanto D&D 5, mas com arquétipos completamente diferentes. Depois de avançar mais com a ideia, o número caiu muito, para seis, e apenas quatro na versão final. Decidi por tornar as classes o mais genéricas possível, deixando para o jogador decidir onde queria ir com o histórico.


Guerreiros ficaram com o papel de combatentes, derrubando diversos inimigos com danos e efeitos especiais de seus golpes. Isso vem com permitir que ações improvisadas como desarmar, empurrar ou atordoar um inimigo com uma pancada na cabeça fossem mais simples e vantajosas.

Ladinos se aproveitam de inimigos já enfraquecidos, ou criam problemas para abrir oportunidades para seus aliados. Eles também ganham mais chance de agir fora do turno para salvar a própria pele ou atrapalhar ainda mais os inimigos.

Feiticeiros controlam os elementos e causar efeitos nos inimigos e terreno. Arautos oferecem bônus para seus aliados com dados adicionais e curas. As duas classes têm um aspecto mágico, embora esse sistema fosse tratar magia de uma forma diferente.

Perícias

Aqui entra a mudança mais radical que fiz na forma como D&D funciona. De 18 perícias, poucas sobreviveram. As primeiras a cair foram as de percepção, pois eu não gosto da forma como elas funcionam. Embora eu nunca tenha jogado Rastros de Cthulhu propriamente, uma lição que eu tirei ao ler o jogo é não esconder informações necessárias atrás de rolagens, e eu nunca fui tão fã de usar armadilhas. Prefiro trabalhar mais nas descrições e dar ênfase no que acho importante na cena, e deixar com que os jogadores perguntem e explorem.

Da mesma forma, perícias de conhecimento se foram. Eu não tenho problema em entregar uma informação para os jogadores se já for parte da especialização dos personagens, ou apontar alguém que sabe o que eles precisam para avançar a narrativa.

Diplomacia também caiu por terra, pois no final das contas, falando em primeira ou terceira pessoa, interpretar uma conversa é muito mais interessante, mas mantive duas perícias para se tirar algo de uma conversa de forma diferente: Dissimular para mentir, se disfarçar ou criar falsificações, e Impressionar para intimidar um alvo ou se exibir para conseguir sua atenção e favor.

Além dessas, mantive Atletismo e Furtividade como perícias de ação, Curar com mais utilidade para diminuir a dependência de magia, Rastrear como uma junção de seguir pessoas e obter informações, e transformei o bônus de ataque normal na perícia Lutar.

Armas

Da mesma forma como armaduras foram limitadas a formas mais simples, eu eliminei a tabela de armas de D&D quase que completamente em troca de duas escolhas simples: A arma que você está usando é corporal ou de distância, e ela é leve ou pesada. Armas leves podem ser usadas com uma mão e causam 1d6 dano, enquanto armas pesadas precisam de duas mãos e causam 1d8 dano. Algumas pessoas podem argumentar que isso tira completamente a importância de qual arma você está usando, e é exatamente por isso que tomei essa decisão.

As diversas armas me parecem desnecessárias, e elas gera mais limitações que escolhas. Um guerreiro vai usar as armas que causarem o maior dano em geral, ou abrir mão de um pouco de dano para ter um escudo. Por outro lado, um mago quase nunca pode dar uma de Gandalf e sair por ai usando uma espada longa encantada. Usar adagas então é um completo desperdício, e sempre achei o d4 bem sem graça de rolar.

Também tentei fazer com que sua escolha de estilo de combate fosse uma escolha. Usar uma arma e ter a mão secundária vazia nunca vale a pena, mas decidi que seria interessante se o personagem puder aproveitar a mão vazia para ter mais facilidade de segurar um inimigo, rolando seu ataque contra Destreza ou Físico, qualquer que for menor. Duas armas por outro lado te permite rolar duas vezes o dano e usar o melhor.

Por último, embora os d10 e d12 tenham ficado de fora da tabela padrão, eles podem muito bem ser usados para itens de qualidade maior ou mágicos. Enquanto uma espada +1 é um tesouro sem graça, uma zweihander muito bem-feita que causa 1d10 de dano ou uma maça abençoada que causa 1d6 normalmente, mas 1d12 contra mortos-vivos podem funcionar de forma bem interessante em mesa.

Magias

A mudança aqui seria extrema. Descartando toda a ideia de magia vanciana com 9 níveis, os feitiços seriam divididos em tipos diferentes que qualquer um poderia aprender. Artes serviriam como posturas e técnicas de combate, desde o transe de fúria de um bárbaro ou a capacidade de um monge de usar seu corpo como uma arma. Feitiços seriam mais próximos das magias normais de D&D, mas com nível de poder limitado. Por último, rituais seriam as grandes magias, que exigiriam gastos consideráveis de tempo ou recursos por parte dos personagens, mas teriam efeito em grande escala.

Junte isso com a falta de uma perícia de conjuração, e você teria magias ligadas a perícias. Ilusões como testes de Dissimular, divinações como Rastrear, etc. Um mago seria alguém que treinou o suficiente a ponto de transformar suas habilidades em capacidades sobrenaturais. Existem ainda outras magias que planejei, como a capacidade de tatuar efeitos no seu corpo, de criar objetos encantados, um sistema mais interessante de alquimia, entre outras coisas.

Energia

Por último, acho que a mudança mais significativa que eu fiz foi abraçar os pulsos de cura do D&D 4 desde o começo. Não apenas como forma de qualquer personagem se curar (embora esse seja um dos usos), mas como um medidor simples de fadiga. Conforme um dia de aventura se desenrola, os personagens iriam se curar, sofrer efeitos de clima, de venenos, de magias estranhas, etc.

Mesmo sem penalidades numéricas ao ficar com 0 energia, isso ainda criaria tensão para os jogadores com o cansaço de seus personagens ficando obvio. Embora eu não esperasse que ela fosse drenada completamente em aventuras dos primeiros níveis, o valor não ia aumentar conforme eles ficassem mais fortes. Um descanso seguro e tranquilo também ajudaria a recuperar mais pontos de energia, fazendo com que os jogadores prestassem mais atenção em coisas como rações de viagem, o ambiente onde estão, e até mesmo em gastar recursos para o conforto dos personagens.

Conclusão

Embora no final o projeto tenha falhado, foi mais por preguiça de continuar do que por não chegar a lugar nenhum. Creio que eu possa realmente criar um jogo que funcione bem seguindo essa linha de raciocínio. Outra coisa que notei é que, embora minhas inspirações iniciais para o jogo tenham vindo de D&D 4 e 5, conforme o projeto avançou eu comecei a tirar mais ideias de blogs e sistemas Old School. Mesmo que esses sistemas proponham um jogo menos heroico e mais letal, não é muito difícil de adaptar o heroísmo de volta, e a simplicidade me agrada de forma geral.

Também notei que a tendência de sistemas mais novos de crescer um pouco em cada nível cria mais problemas na matemática do que tudo. Sistemas antigos com um crescimento menor a cada tantos níveis parece ser muito mais fácil de gerenciar.

De qualquer forma, outro dia faço um artigo sobre o sistema que estou usando, minhas inspirações para ele, e outros sistemas gratuitos e simples. Até lá, tenham uma boa semana.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Tales of Zestiria

12:00:00 Escrito por Nyu , , No comments
Esse é o primeiro título da série Tales of que eu pego para jogar. Vou dizer que a experiência foi ótima e logo estarei atrás de outros. E o que me motivou comprá-lo? A vontade de jogar algum J-RPG que não fosse Final Fantasy. O estilo anime foi o segundo motivo chamou minha atenção, e ter tradução em português foi o terceiro. O quarto foi a promoção no Steam.

O jogo foi lançado em 2015, para as plataformas PlayStation 4, PlayStation 3 e PC, desenvolvido pela Bandai, é do gênero J-RPG. Tem nos idiomas Inglês e Japonês e tradução das legendas para o Português-BR.

História

A era de paz acabou. O mundo está dominado pela malevolência e o caos foi instaurado. Muitas pessoas perderam sua fé, e os reinos estão em guerra. Cabe ao Pastor destruir o mal e restaurar a paz.

Sorey é um rapaz simples e bondoso vivendo entre os serafins. Um dia, enquanto explorava um templo abandonado com seu melhor amigo de infância e serafim Mikleo, encontrou uma humana chamada Alisha, e descobre que a malevolência está atingindo a todos na terra e que ela clama por um Pastor. Sem pestanejar, Sorey e Mikleo seguem para o mundo dos humanos para ajudar a restaurar o lugar e destruir o causador de todos os problemas.

Sobre o Jogo

O jogo tem gráficos até bonitos, meio estranhos no início, mas você acaba simpatizando. Os cenários podem parecer meio esquisitos comparados com os personagens, que seguem um estilo anime bem bonito e detalhado. Algumas cutscenes são em animação 2D.

O visual dos personagens é bem variado. Cada um tem seu estilo, até mesmo os NPCs - mesmo aqueles que compõem a cidade, que são parecidos um com os outros, ainda possuem sua identidade. Além disso, o jogo dá a opção de customizá-los com alguns acessórios e roupas encontrados durante o jogo em baús espalhados pelo mundo, ou por DLC's, caso queira brincar de Evangelion ou God Eater.

As músicas são legais, porém não tem muita variação, principalmente no mapa aberto, o que acaba enjoando, mas são marcantes e bem características para o jogo. As trilhas de templos e momentos épicos se destacam.

O sistema de combate é simples: dois botões de ataque, um fraco e rápido e um forte e lento, e um botão para se defender e esquivar. Mas o melhor são as chamadas Armatizações, onde Sorey se funde com serafins de cada elemento para atacar os inimigos com mais eficacia. Sempre que isso ocorre, ele muda de aparência e seus golpes, apesar de ainda serem nos mesmos botões, se tornam mais poderosos. Entretanto, durante um bom tempo, o jogo estará te ensinando como combater, combos a fazer, o que são Ars, Armatização, como funciona cada coisa, etc. Ótimo para quem está começando e não entende nada do sistema. Entretanto, isso pode ser bem confuso e difícil no início, pois existe muita coisa para ser lida e entendida.


Existe uma boa variedade de inimigos, desde os mais fracos até alguns que exigem melhor entendimento do sistema de batalha e Armatizações. Ao contrário de jogos antigos como Final Fantasy 7 onde você anda pelo mapa e de repente você entra em batalha, aqui os inimigos aparecem na tela e você pode ter a opção de lutar ou não contra eles, apenas correndo em sua direção ou desviando. Os inimigos mais poderosos também tem uma fumaça roxa.

Você tem opções no combate, como controlar o personagem principal totalmente ou só parcialmente, ou deixar ele com o computador, com configurações bem fáceis de entender. Os outros personagens serão controlados pelo computador, facilitando sua vida. Durante o jogo, você ainda ganha alguns estilos de luta diferente para cada personagem, dando uma variação legal e saindo da mesmice.

O jogo possui alguns subsistemas que não são difíceis de gerenciar, como as Habilidades Passivas, que funcionam enquanto você estiver andando. Cada personagem possui um grupo de Passivas, como fazer lanche, poções, encontrar tesouros próximos, pontos de interesse, restaurar vida, etc. Também é fácil entender as armas e armaduras, pois além da explicação inicial, os personagens conversam entre si sobre esses aspectos quando descansam na taverna, demonstrando que as coisas não são só mecânicas do jogo.

E falando em interação entre os personagens, essa é a melhor parte do jogo. Sempre que o grupo dorme na taverna, encontra um ponto de interesse, ao encontrar um inimigo novo, após uma luta, ou após alguma cena interessante e indo em um ponto de salvamento, haverá uma interação sobre o que está acontecendo no mundo, o que eles estão descobrindo ou apenas uma conversa casual entre os personagens. Isso ajuda a desenvolver os personagens e suas relações, e considero um dos pontos altos do jogo.

Sorey é um ótimo personagem, é o típico herói de bom coração que está disposto a ajudar todos. Mas ele também tem dúvidas, e questiona sobre o que está fazendo em diversas ocasiões. Mikleo é seu melhor amigo, e sempre está ajudando o rapaz a tomar as melhores decisões possíveis. Ambos são ingênuos e curiosos, adoram explorar cavernas e lugares onde ninguém se aventura a ir.

Alisha é a princesa que está tentando arranjar uma forma de evitar a guerra entre seu reino Hyland e Rolance, apesar de estar com as mãos atadas por causa do governador e o conselho. Muitas vezes ela se vê em uma posição difícil, mas mesmo assim não deixa de ajudar o Pastor em sua jornada. Inclusive, há uma DLC exclusiva para contar sua história.

Outros personagens aparecerão para ajudar na jornada, e apesar de serem muitos, nenhum deles fica apagado. Pelo contrário, todos tem importância tanto na história quanto nas decisões tomadas pelo Pastor.

E para finalizar, caso você esteja perdido no jogo e não saiba por onde ir, ou o que precisa fazer, converse com sua escudeira. Ela funciona como menu de quests, indicando onde provavelmente você deve ir ou o que dando dicas para passar de puzzles.

Minha Opinião

Ele é um ótimo jogo. Tem uma história legal, apesar de clichê. Os personagens são bem construídos e tem um alto carisma, assim como personalidades distintas. O visual é bem legal, apesar dos gráficos serem um pouco feios em alguns momentos, como um arbusto que parece apenas um conjunto de papelão para compor o cenário.

É difícil entender como funciona todo o sistema de batalha e o menu no início, e embora tenha me acostumado, só consegui entender bem mesmo da metade do jogo.

A legenda em português é boa, apesar de visivelmente ter certos problemas como falta de uma letra ou espaçamento em alguns momentos, principalmente chegando no final do jogo. Não prejudica o entendimento da história, mas para uma legenda oficial, isso é um erro bem complicado de deixar para lá.

Se você curte J-RPG ou quer começar um jogo da série Tales of, essa é uma ótima recomendação. Terá ao menos 40h na primeira jogatina, podendo se estender para mais caso queira fazer realmente tudo que existe no jogo. Então é diversão garantida.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Empresas Mediocre de Jogos e Gamers Passivos

Este será um post apenas para reclamar. Recentemente adquiri em uma promoção três Assassin's Creed, ativados na Uplay, programa da Ubsoft para seus jogos. Resolvi então instalar o Syndicate, jogo mais recente entre os três que comprei, para aproveitar um pouco. Desde o último AC que joguei, que foi o primeiro, muita coisa mudou: as mecânicas estão mais fluidas e o jogo tem uma história interessante, mas nada de impressionante.

No momento que escrevo essa matéria, ainda não completei 50% do jogo, mas acho que não preciso fazer tudo para poder tecer uma crítica, não só a Ubsoft, mas para outras empresas que fazem o mesmo.

É notório que a Ubsoft quer porque quer vender uma das franquias mais rentáveis, e por isso tínhamos um AC por ano. Mas isso acaba sendo um grande problema, pois ela não se preocupa com certos detalhes, e o jogo parece mal feito. Estou jogando dublado e, apesar de algumas vozes não combinar com certos personagens, existe um problema maior: ele não está 100% em português. Não é difícil andar pela cidade e encontrar alguém falando em inglês, seja algum cidadão ou inimigo.

Além disso, muitas partes demorarem a renderizar, principalmente se estiver andando com carroças e em alta velocidade. Não é difícil o jogo dar algumas travadas no meio das corridas porque o cenário está carregando texturas.

Muitos desses problemas não passam despercebidos por quem joga, e isso não é exclusivo desse jogo. Podem notar que muitos apresentam problemas e bugs, e que muitas vezes demoram para serem arrumados, isso se forem arrumados. E não é exclusivo da Ubsoft, outras empresas têm esse problema, como a Bethesda, por exemplo.

E isso tudo torna essas empresas apenas medíocres no que fazem. E o que nós compradores e gamers fazemos? Apenas continuamos comprando seus produtos e aceitando as coisas como estão, além de fazer memes com os bugs. Existe uma parcela de gente que realmente reclama e quer ver seus jogos favoritos serem bem-feitos e bem cuidados, tendo qualidade, principalmente com preço que pagamos por eles. Entretanto, essa é uma parcela pequena, pois a grande parte do publico passa a mão na cabeça dessas empresas, além da imprensa especializada dar boas notas e falar bem, mesmo que os produtos tenham esses grandes defeitos.


E o que eu quero dizer com tudo isso? Que no final nada vai mudar se o consumidor continuar passivo e passar a mão na cabeça das empresas quando elas cometem erros. Elas continuarão sendo empresas medíocres, mas que fazem sucesso apenas por causa do seu público, e de seus fãs. Empresas que não se dedicam realmente a seus produtos, e apenas visam lucro e não se importar com seu público.

Casos como Watch Dogs, onde a comunidade pedia patch de atualização para corrigir bugs, e já tinha se passado um ano do lançamento e os fãs ficaram a ver navio, ou então a Capcom com seu mais recente deslise com a edição de colecionador de Marvel vs Capcom, onde as Pedras do Infinito são ovinhos toscos e as estatuetas parecem bonecos de R$ 1,99. E não é como se fosse a primeira vez que elas agem assim, mas não podemos deixar com que as coisas continuem.

Mas enquanto temos fãs protegendo as empresas porque elas fazem seus joguinhos favoritos, não teremos mudança de qualidade tão cedo. Eu escrevi isso só para desabafo, não é nada de uma mera reclamação de insatisfação, e de como as coisas são aceitas passivamente

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Mulher Maravilha

15:17:00 Escrito por Lucas Rodrigues , , , No comments
Eu não sou grande fã de filmes de super-heróis, mas quando vi que a opinião da crítica sobre Mulher Maravilha era positiva, decidi dar uma chance para o filme. Já é interessante ver uma super-heroína recebendo um filme solo, e o fato de Snyder não estar na direção foi interessante e levemente animador. Eu assisti ao filme dublado e em 3D. A obra tem 2h 21m e foi dirigida por Patty Jenkins.

História

Somos introduzidos a origem da personagem, já que a dela é a menos conhecida pelo grande publico. Vemos brevemente sobre a vida das Amazonas e sua mitologia de criação até sermos introduzidos a trama principal através de Steve Trevor, um piloto Inglês que cai na ilha ao ser perseguido por soldados alemães. Diana então confronta sua mãe, pedindo permissão para sair da ilha e tentar dar um fim à guerra da qual Steve fala, acreditando que ela seja culpa de Ares.

O resto da trama acompanha a missão dos dois e mais um pequeno grupo de conhecidos de Steve, em meio aos horrores da Primeira Guerra Mundial. Durante sua extensão, temos um bom desenvolvimento dos personagens, mesmo dos vilões, mas principalmente de Diana. Apesar disso, o confronto final do filme deixa muito a desejar.

Personagens

Diana é uma figura interessante. Uma mulher forte e focada desde muito pequena, fugindo escondida para treinar com sua tia, e decidindo ignorar a opinião de sua mãe quando essa diz que não a permitirá sair da ilha. Diferente do que se assume, a personagem não é tratada como inocente ao mundo de fora, e ao assumir isso, Steve é alvo de piada. Entretanto, ela não entende completamente a sociedade do novo mundo, e tem uma visão romantizada sobre a guerra e as pessoas, acreditando que o ódio e a maldade só podem ser causados por influência divina. Seu desenvolvimento é o ponto mais alto do filme.

Embora seja uma pessoa de moralidade nobre, Steve é mais espião que soldado. Somado a sua visão mais crua da realidade da guerra, ele se torna um par maravilhoso para interagir com Diana, gerando bons embates morais, mas também bons momentos de respiro.

Sameer, Charlie e Chefe formam o resto do grupo que Steve contrata para ajudá-los na missão. Embora nenhum deles receba imenso destaque durante o filme, todos ainda tem um pouco de desenvolvimento. Charlie tem um pequeno arco que acaba sendo meio pobre, e poderia ter recebido mais 2 ou 3 minutos de tela. Sameer e Chefe apenas revelam parte da sua história em momentos propícios, pontuando o filme com gotas de apoio a causas sociais que creio que nem a mais irracional das pessoas conseguirá criticar.


Produção

A ilha onde Diana cresceu é visualmente incrível e bem colorida. Embora Londres e o fronte de guerra tenhamos tons mais frios e cinzentos, a maior parte das cenas em ambientes fechados contam com cores quentes.

O filme conta com enquadramentos bonitos nas cenas mais calmas, mas a fotografia brilha de verdade no combate. Embora em alguns momentos a coreografia possa ser cartunesca de mais, deixando ações com um tom quase cômico, a maior parte das lutas são bem-feitas e fáceis de acompanhar, sem cortes excessivos que as tornem confusas ou não mostrem golpes. A falta de sangue nas lutas entretanto incomoda, com todas as balas e golpes de espada mostrados.

O roteiro é muito bem executado, conseguindo evitar cenas em que nada seja desenvolvido. O filme se leva um pouco menos a sério entre as cenas de ação, fazendo algumas boas piadas e brincadeiras entre os personagens, e até mesmo com os vilões.

Spoiler maior sobre o final do filme a frente. Pare de ler por aqui se ainda pretende assistir.

Nem tudo são flores. Embora em sua maior parte o filme seja bem executado e divertido, seu trecho final cai bastante em qualidade. Temos a revelação de quem é Ares, e Diana o enfrenta frente a frente. O problema é que é difícil comprar o vilão principal, pois você não consegue enxergar o ator escalado como deus da guerra. O roteiro também não ajuda, com frases extremamente cartunescas e bobas que ficariam fora de lugar até em um desenho como Super Amigos, e o dublador entrega as linhas de forma péssima. Até o visual consegue ser terrível, com um vilão feito de uma CG muito porca, e uma Diana despertando seus grandes poderes e fazendo patinação artística no asfalto enquanto derruba soldados alemães de forma ridícula. Bem, ao menos a última imagem antes de cortar para a cena de encerramento é bonita.

Em geral, eu gostei de Mulher Maravilha. Mesmo o final do filme não é o suficiente pra abalar de forma pesada minha opinião em relação a execução do roteiro. Não é uma história muito inovadora, e em 30 minutos de filme eu já tinha certeza sobre como seria o final, mas ele ainda é um filme bem-feito e divertido. Tenham uma boa semana!

Eu sou o deus do bigodinho!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Kuromukuro

12:00:00 Escrito por Nyu , , , No comments
Não sou muito fã de animes com mechas, o tema nunca me chama muito a atenção. Entretanto, isso não significa que eu jamais assistiria qualquer coisa que tenha mecha, mas a obra precisa despertar meu interesse. Kuromukuro estava ali na minha lista de recomendados na Netflix, eu achei o design dos personagens interessante e resolvi assistir o primeiro episódio. Gostei do que vi, continuei assistindo, e resolvi recomendá-lo. Lançado em 2016 pela P.A Works, é uma comemoração de 15 anos da produtora.

História

No Japão foi instituído o Instituto de Pesquisa Kurobe das Nações Unidas para investigar um antigo e estranho artefato, descoberto durante as escavações para a nova represa de Kurobe. Cientistas de todo o mundo se reuniram para estudar sobre o artefato, enquanto seus filhos estudam no Colégio Internacional MT. Tate.

Yukina é filha de uma das principais cientistas pesquisadoras do Instituto, e quando foi visitar sua mãe no trabalho, acabou encontrando o artefato, resolvendo o quebra-cabeça e abrindo-o. Dentro dele havia um samurai da era Sengoku adormecido, Kennosuke Tokisada Ouma.

Os dois precisam se juntar para controlar o mecha Kuromukuro e defender a Terra das forças alienígenas invasoras. Mas para isso acontecer, eles precisam ganhar a confiança tanto um do outro quanto do Instituto de Pesquisa.

Sobre o Anime

Kuromukuro tem uma história bem legal e empolgante. O anime sabe medir entre os momentos de comédia, tensão, mistério e ação, evitando se tornar monótono e chato, ou pura luta sem nada além disso. Os mistérios são legais, e nenhum deles fica sem respostas. O fato dos personagens terem uma boa interação entre si ajuda bastante no caminhar da história.


Os principais - Kennosuke e Yukina - tem uma ótima química desde o primeiro momento em que se encontram. Não há um personagem que você desgoste, pois mesmo os menos desenvolvidos possuem certo carisma. Além do character design deles ser bem legal.

Entretanto, alguns personagens parecem estar ali apenas para completar o time, já que falam bem pouco e aparecem apenas quando é conveniente. Eles nem recebem muita caracterização, como é o caso de Shenmei Liu, que serve apenas de segunda piloto de um dos mechas, em vez de estar ali por ser uma personagem interessante ou ter o que acrescentar na história.

Não há nada de muito surpreendente na história. Muitas coisas acabam sendo previsíveis, e você consegue adivinhar certos aspectos do plot, ou como a relação de certos personagens vai se desenvolver. E talvez por não ser fã de mecha, não gostei tanto dos robôs. Algo no visual deles não me agradou muito

A animação é bem-feita, possui uma palheta de cores bem viva, e as lutas são empolgantes. As músicas são boas, apesar de não ter nada de especial ou chamativo.

Minha Opinião

Como eu disse anteriormente, não sou fã de mechas, mas esse anime me chamou a atenção porque ele é muito mais sobre os personagens do que os robôs. Talvez Transformers não foi uma base boa para mim nesse quesito... Entretanto, vale muito a pena assisti-lo. A quem interessar, existe uma versão dublada do anime. Ela é boa, mas eu ainda assisti a versão original, pois achei a voz do Kennosuke mais condizente.

Vale muito a pena assistir. Tem alguns plot twists no meio da história, e você se vê torcendo para personagens que nem imaginava que torceria. Fica ai minha recomendação.