sábado, 25 de abril de 2015

Lone Survivor

14:00:00 Escrito por Lucas Rodrigues , , ,
Seu nome já não importa. Você está trancado no seu apartamento a algum tempo, desde que o incidente aconteceu. Você não sabe exatamente a origem disso. Mas não importa mais. Nada mais importa. Ninguém mais está vivo, pelo que você sabe. E aquelas coisas estão se arrastando la fora. Mas você não desistiu ainda. E o pior nem são as criaturas, a fome, ou o sono. Mas a dúvida sobre sua própria sanidade. Quanto disso é real? E quanto disso só acontece na sua mente?


Novamente trago uma análise de um jogo independente, este criado por Jasper Byrne. Lone Survivor te coloca na pele do aparente último sobrevivente humano de uma região devastada por algum tipo de praga. Eu fiz uma série do jogo no nosso canal.

Sobre

O jogo é 2D, com cenários muito bem-feitos e um visual interessante. O protagonista, como mostra o texto introdutório, não tem um nome, e muito menos uma face, por usar uma máscara todo o tempo. Durante o jogo, ele é tratado sempre por “Você”. E, na pele de um personagem sem identidade e a beira da insanidade, você tem não só que explorar, mas também sobreviver do melhor jeito possível em um prédio abandonado, que em alguns pontos chega a ser quase um inferno. O protagonista precisa comer e dormir, além de buscar um jeito de sair daquele lugar. Isso poderia ser simples e rápido, se não fosse o fato de no seu caminho haver muitas portas trancadas, seres humanoides que adorariam arrancar um pedaço de você, e o fato do próprio personagem estar tão perturbado com a situação, que realidade e alucinações começam a se tornar uma coisa só.

Somado a isso o fato de que seus únicos modos de se proteger das criaturas é correr, ser furtivo ou usar recursos escassos achados no jogo, e a trilha sonora, o clima do jogo se torna quase sufocante. Sim, em determinada parte do jogo você consegue uma arma para se proteger, mas o personagem sequer pode virar o corpo para mirar para o outro lado enquanto empunha a arma, e os monstros são tremendamente resistentes, sem contar o problema de que a munição não é abundante, embora você não vá sentir falta da mesma se agir com cautela.


Talvez dizer que o personagem é o último sobrevivente pode ser um erro. Você também encontra uma garota estranha em alguns lugares, uma pequena festa em outro apartamento, o homem da caixa, um homem vestido de azul em um palco, e um homem misterioso que se identifica como “The Director”. Mas até onde essas pessoas são verdadeiramente uma ajuda, e até onde são uma ferramente ou uma peça que a mente do próprio protagonista está usando para tentar manter sua sanidade? O que dizer de dormir após tomar algumas drogas para se acalmar, ter um sonho com um homem estranho cujo nome você nem sabe, mas que te cura, e te da comida, que realmente aparece em seu inventário?

Sistemas

O inventário é outro elemento importante. Entre notas que você acha pelo prédio, comida e outros itens, você pode verificar sua quantidade de munição, misturar coisas para comer e saciar a fome, cozinhar (após achar os aparatos certos), entre outras coisas. Assim como muitos itens, que desbloqueiam novas áreas. Cuidado ao gastar algo. Talvez usar a carne contra alguns monstros não seja tão bom, enquanto outros se distraem quando você faz isso. Você também carrega uma pequena lanterna que fica pendurada no bolso de sua camisa. Infelizmente, a bateria não é eterna, e você tem que economizar ela para horas necessárias.

Os saves do jogo acontecem automaticamente quando você dorme. Não existem outros meios de salvar, e caso você morra, você despertara novamente no último dia que dormiu, como se sua morte tivesse sido um dos muitos pesadelos que você enfrenta. O jogo não faz diferenciação entre dia e noite, com o céu cinzento que você pode avistar em alguns pontos do jogo. Muito menos com horas. O único tipo de medida de tempo que você tem é o de dia. Cada save corresponde a um dia de jogo. Mas não pense que você pode continuar o jogo muito tempo sem salvar. Seu personagem realmente sente sono e pode chegar ao ponto de desmaiar caso você não volte para casa. Itens como café expresso podem te manter acordado por mais algum tempo, mas isso não é eterno.

Outro ponto importante do jogo são os espelhos. Há um espelho em sua casa, e quando você usa outro espelho espalhado pelos inúmeros cenários do jogo, você é transportado de volta para a casa. E o espelho de sua casa se torna um teleporte de volta para o último espelho que você usou. Isso facilita um pouco sua vida, já que o ambiente do jogo não é pequeno. Esse, apesar de 2D, conta com mapas em 3D que o personagem acha e carrega.

Quanto ao sistema de tiro, seu personagem parece ser um civil sem pratica. Sacar a arma demora um pouco, assim como atirar, com um intervalo leve (nada que permita os monstros se aproximarem, mas existe) entre eles, deixando o jogo mais realista. Você só pode mirar para cima ou para baixo, além dos tiros padrão para frente, e não pode virar o personagem para atirar para o outro lado sem guardar a arma e sacá-la de novo. Como outros meios de passar por monstros, existem os Flares, que os cegam, e alguns pedaços de carne que você pode usar para distraí-los. Nada que dure por muito tempo, mas é o suficiente para você correr por sua vida.

História

Não darei grandes spoilers pois eu já fiz um vídeo falando mais sobre os vários finais do jogo e suas teorias.

O que eu posso dizer de importante é que você vai querer jogar mais de uma vez. O jogo conta com 5 finais, e apenas 3 deles podem ser conseguidos na primeira vez que jogar. O desenrolar da história se baseia na estabilidade mental conseguida graças aos atos que você tomar durante o jogo. O mais perto que você pode chegar com relação ao entendimento da história é ver os finais e tirar suas próprias interpretações.

O que importa é que o jogo te prende na pele de alguém que foi destruído por eventos de seu passado, e que se agarra a ele tão profundamente que mal consegue seguir em frente. Sua mente luta, entre a parte traumatizada e aquela que quer te trazer de volta a realidade, assim como as pessoas que se importam com você. O que é real? O que é uma ferramenta da sua mente? Descubra por si mesmo...


Um final feliz... ou não?