quinta-feira, 21 de maio de 2015

To The Moon

14:00:00 Escrito por Lucas Rodrigues , , ,
"Então, vocês podem? Podem me levar para a lua?"
"Nós não, mas você pode conseguir."
"Por que você quer ir para lá?"
"Eu não sei."

To The Moon é um jogo criado por Kan "Reives" Gao, lançado em 1 de novembro de 2011 pelo grupo de desenvolvimento Freebird Games. É um adventure feito no RPG Maker XP, embora não tenha nenhum elemento de RPG (tirando uma piada no começo do jogo). Como em outros adventures, você anda pelos cenários clicando nos pontos onde quer ir, e analisando objetos  e cenas para receber informações sobre eles.
 
Você controla dois funcionários da Sigmund Corp., uma companhia que usa tecnologia para mudar as lembranças de pessoas que estão a beira da morte, para que elas morram em paz, acreditando terem realizado seus sonhos. Em uma noite de trabalho usual, Dr. Neil Watts e Dra. Eva Rosalene dirigem até a casa de John H. Wyles, que assinou um contrato para ter seu maior sonho realizado. Johnny, como ele prefere ser chamado, está em estado terminal, inconsciente em sua cama, acompanhado apenas por sua médica pessoal e Lily, a governanta. Mas a verdadeira história se desenrola não na casa onde ele mora, perto de um farol antigo, e sim na própria mente de Johnny, onde você tem que mergulhar para primeiro descobrir qual é o desejo do velho homem, e após isso, para descobrir qual é a origem desse desejo.
 
Antes de continuar, quero dizer que vou evitar ao máximo dar spoilers nessa analise. Não porque eu vou mudar meu modo de escrever ou qualquer coisa do tipo. Joguei já tendo tomado um grande spoiler sobre a história, mas eu adorei esse jogo, e odiaria diminuir a experiência de acompanhar a história dele para qualquer um. Sem mais, vamos lá.
 
História
 
Toda a história está relacionada ao passado de Johnny, e Niel e Eva vão regredindo lentamente em sua vida para descobrir algo que nem mesmo o homem sabe: a origem do seu desejo de ir para a lua. Você vai sendo transportado através de vários objetos que estão relacionados a vida de John, como um guarda-chuva, flores, um pote de azeitonas, um ornitorrinco de pelúcia - pode parecer estranho no começo, mas a conexão entre essas coisas com momentos da vida do homem passam a fazer muito sentido quanto mais você volta. Começando de sua velhice, passamos pelos últimos momentos de sua mulher, a realização de um antigo sonho de construir uma casa perto de um farol, a preocupação do John com sua esposa, o casamento de ambos, sua época de colégio - tudo muito bem amarrado, e contando pequenos detalhes que começam a se encaixar em uma história mais e mais completa.
 
Mas nem tudo são flores. No meio do caminho, uma memória simplesmente parece estar com problemas. Imaginando que seja um erro da máquina, os doutores tentam colocar as referencias para que Johnny - ou suas memórias - sintam vontade de ir para a lua. Mas nada disso parece funcionar, e indo para essa segunda parte que o jogo desenvolve a melhor parte da história.
 
Personagens

Dra. Eva Rosalene é uma agente sênior de travessia de memórias da Sigmund Corp., extremamente profissional e racional. Ela parece ser mais atenta que Niel a pequenos detalhes, e diferente do parceiro, age mais pela razão do que pelas emoções.

Dr. Neil Watts é um especialista técnico da Sigmund Corp. e um personagem muito carismático. Brincalhão, esquentado, preguiçoso, emotivo. Diferente de Eva, sua postura diante da tensão é brincar ou reclamar. Durante o jogo, é possível perceber que ele tinha uma boa relação com o avô (falecido), e que ele parece ter algum tipo de problema de saúde, e toma  analgésicos fortes.

John H. Wyles é o 'protagonista' do jogo - sua vida, na verdade - e ao mesmo tempo o cenário. É interessante notar o quão bem o jogo se desenvolve, com pequenos detalhes que inicialmente parecem desconexos - desde um ornitorrinco de pelúcia, um coelho de origami, e até mesmo um coelho atropelado - se fecham perfeitamente, fazendo as memórias de Johnny se tornarem sempre conectadas, e fazendo com que acontecimentos do inicio de sua vida interfiram até o fim.
 
River E. Wyles é a esposa de John. No decorrer do jogo, você vê ela morrendo por se recusar a aceitar tratamento, fazendo repetidamente coelhos de origami para Johnny, e insistindo que ele termine a casa em vez de se preocupar com ela. A mulher parece ter algum carinho especial pelo farol próximo a casa, e tenta constantemente fazer John se lembrar de alguma coisa. Com o decorrer da história, você passa a entender cada vez mais o comportamento estranho que ela tem, assim como a importância que dá para o farol, a casa e ao próprio John.

O jogo ainda tem alguns personagens secundários, como Lily, Nicolas, um amigo de John, e a própria mãe dele. Mas falar mais de qualquer um deles traria spoilers maiores sobre o desenvolvimento da história, então prefiro falar apenas desses quatro.   

Jogabilidade e Música
 
A jogabilidade é um pouco diferente de outros jogos de RPG Maker. Como em um adventure, você vai usar o mouse para mover os personagens e interagir com o ambiente. Tirando por algumas partes especificas onde você usará o teclado (direcionais, WASD e barra de espaço), os comandos são bem simples. As vezes a movimentação point and click pode irritar um pouco, mas o jogo funciona muito bem.
 
Quando encontrar as lembranças, objetos que vão te guiar de uma memória a outra, vai existir um pequeno puzzle para "organiza-los". O jogo indica uma quantidade minima de movimentos necessários para completar o puzzle, mas isso não afeta em nada o jogo em si.
 
Quanto a trilha sonora, To The Moon é fantástico. Cada música do jogo é extremamente bem feita, e importante para a imersão. Destaques para Everything's Alright, cantado por Laura Shigihara, a mesma pessoa que escreveu e cantou a música de encerramento de Plants vs Zombies, e para To The Moon, a música que encerra o jogo. Ambas não são belas apenas por si mesmas, mas também acompanham os momentos mais comoventes do jogo.

Conclusão
   
To The Moon é definitivamente a história mais bonita e emocionante que eu já joguei. Não estou tentando diminuir a genialidade de jogos como The Last of Us ou Bioshock Infinite, mas... Esse jogo tem algo especial. Bem, eu já me estendi de mais. Joguem. Aproveitem essa história maravilhosa. O jogo vale cada centavo (mas só para ajudar, o lugar onde encontrei ele mais barato foi o GOG). O que me deixa ainda mais feliz é que To The Moon parece ser só o primeiro caso da Sigmund Corp., e quem sabe em breve Kan Gao não nos brinde com outra obra prima.
 

E se até agora você não se convenceu a jogar, ou achou que essa coisa de "jogo emocional" é coisa de fã de crepúsculo, relaxa. O jogo tem bons momentos de humor, e uma grande quantidade de referencias nerds espalhadas. Dê uma chance. E volte a comentar quando estiver chorando feito uma criancinha de 4 anos.

A imagem de Niel e Eva foi feita por Viivus. A imagem de John e River foi feita por Lavendra.