sábado, 20 de junho de 2015

Hoshi o Ou Kodomo

14:00:00 Escrito por Lucas Rodrigues , , ,
O quão longe uma pessoa pode ir para dizer 'adeus'?

Hoshi o Ou Kodomo (Crianças que Perseguem Vozes Perdidas, ou literalmente, Crianças que Perseguem Estrelas) é um filme de animação de 2011, escrito, produzido e dirigido por Makoto Shinkai. Após 5 Centimeters per Second em 2008, o diretor analisou suas obras durante a década e notou que o tema de personagens que tinham que se distanciar de pessoas queridas era uma constante. Decidiu nesse filme levar esse tema adiante, tratando de como superar essa separação.

Fiquei sinceramente impressionado com esse filme. Tenho problemas me focar por tanto tempo em algo (ele tem 1 hora e 56 minutos), mas fiquei preso à tela pelo bom ritmo da história. Como aviso final, esse artigo terá spoilers da trama e do desenvolvimento dos personagens, então se você quer assisti-lo, pare por aqui. Se ainda quiser ter uma leve impressão sobre o que o filme trata, leia a conclusão do artigo e minha nota. A parte de História e Personagens terá spoilers, você foi avisado.

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História

A história acompanha Asuna Watase, uma garota forçada a amadurecer cedo, graças a morte de seu pai e o trabalho de enfermeira da mãe que ocupa muito de seu tempo. Uma das melhores alunas da turma, ela demonstra uma inteligência afiada, mas também solidão, se refugiando no topo de uma montanha depois da aula com um rádio caseiro, procurando sinais estranhos. Em uma dessas buscas, o rádio capta uma melodia desconhecida, que segundo a garota "parecia o som do coração de alguém, e me deixou feliz e triste ao mesmo tempo. Me senti como se eu não estivesse mais sozinha".

No dia seguinte, quando ela está voltando para a montanha através da ponte do trem, uma criatura imensa e estranha surge. Asuna é salva por um jovem com habilidades sobre-humanas, que enfrenta a criatura de mãos vazias e demonstra poderes mágicos. O garoto diz se chamar Shun e pede para que ela não volte mais até aquelas montanhas, já que o local pode se tornar perigoso.

Ignorando-o, no dia seguinte ela volta, e Shun conta que veio de um lugar chamado Agartha, além de dizer que não tem mais nenhum arrependimento em sua vida. Depois de abençoar a garota com um beijo, os dois se separam. Uma cena se segue em que ele fala que foi Asuna que ouviu sua última canção, e que sente uma mistura de medo insuportável e felicidade. E então cai do penhasco.

No dia seguinte, um novo professor, Ryuji Morisaki, é apresentado a classe. Paralelamente, a mãe de Asuna recebe uma ligação, e quando a garota chega em casa, essa lhe conta sobre a morte de um garoto nas montanhas. Ela não aceita a realidade, e fica abatida. Numa das aulas de Ryuji, ela ouve a lenda de Izanagi e Izanami, e sobre o mundo inferior. Indo até a casa do professor depois da aula, esse lhe conta mais sobre seus estudos, de mundos em baixo da terra e Quetzal Coatl, "deuses" de eras antigas que deram conhecimento a humanidade.

Ela volta imediatamente até a montanha, e encontra alguém muito semelhante a Shun lá. Mas o garoto diz que ela teria que aceitar que ele tinha partido, e antes de qualquer explicação, um helicóptero aparece e o sósia de Shun leva Asuna para uma caverna. Eles são seguidos por Ryuji, que revela ser parte de uma organização que pesquisa sobre Agartha. Usando a garota como refém, os três vão para o mundo em baixo da terra.

A partir desse ponto, o filme se desenvolve na jornada de Asuna, Shin (irmão de Shun) e Ryuji para aceitar a morte.

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Personagens  

Asuna Watase é garota jovem, inteligente e solitária. Amadureceu muito rápido graças a morte do seu pai e o trabalho de sua mãe. É possível atribuir sua jornada em Agartha a música que ela ouve no rádio logo no início do filme, a "última melodia" de Shun. Diferente de seu professor, a jornada dela parece mais pura curiosidade e vontade de entender aquela melodia, embora aceitar a morte de Shun também faça parte disso.

Shun é uma figura misteriosa, servindo mais como um catalisador dos eventos do filme do que como um personagem em si. Ele parece já ter vivido o suficiente e cumprido sua missão, e a cena de sua queda (e morte) e o fato dele ter cantado uma última melodia se assemelham muito ao ritual de morte de um Quetzal Coatl. Segundo Shin, eles cantam antes de partir para seu fim pois isso faz com que todo seu conhecimento e experiências sejam passados a frente.

Shin guarda muitas semelhanças com seu irmão mais velho em aparência, mas ao contrário desse, é confuso e parece ter dificuldade para expressar qualquer coisa que não seja raiva. Sua missão de encontrar a clavis (uma pedra-chave) que seu irmão carregava foi cumprida, mas ele também deixou Asuna e Ryuji, em posse de outro fragmento, entrarem em Agartha. A jornada do garoto parece sobre encontrar seu lugar no mundo.

Ryuji Morisaki, o professor substituto, que também se revela membro de uma agência que estuda Agartha, quer chegar a um dos segredos do lugar - A Fonte da Vida e da Morte - para beneficio próprio. Sua esposa, doente, morreu enquanto ele estava na guerra, mas ele nunca conseguiu seguir em frente. Sua jornada de aceitação para isso talvez seja a mais custosa no filme, pois, além de quase sacrificar Asuna, ele perde a visão. No fim, ele permanece em Agartha, com Shin.

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Questões Técnicas  

Em questão artística, a animação, colorização, desing (tanto o de personagens quanto os cenários) são todos fantásticos. O filme prima pelos personagens bem-feitos e simples em meio a ambientes grandiosos e fantásticos. Existe CG, mas em momento nenhum ela destoa do resto da cena.

Em questão musical, como já declarei, não tenho bom ouvido (nem memória) para trilha sonora. Mas julgando pela experiência que tive com as duas horas de animação, posso dizer que ela foi boa o suficiente para me fazer imergir na história.

Conclusão

Hoshi o Ou Kodomo é um grande filme. Uma história clichê, talvez, mas executada de uma maneira extremamente competente e imersiva. Suas duas horas, diferente de muitos filmes hoje em dia, não cansam. A não ser, é claro, que você esteja procurando por ação frenética. Nesse caso pode se decepcionar com o ritmo. Se você tem duas horas, assista sem medo. Você provavelmente não vai se surpreender, mas vai se divertir.


Alias, para aqueles que se incomodam com o fato de que eu sempre digo que um filme vale a pena, relaxem, eu não sou do tipo que gosta de tudo o que assiste. Mas eu trago artigos apenas dos meus favoritos para vocês. Fora que eu também seleciono bem o que eu vou gastar 2 horas da minha vida vendo, pra não ficar de mimimi com "perdi 2 horas da minha vida" depois. No mais, boa semana e até o próximo artigo.

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