terça-feira, 29 de setembro de 2015

Como Voltei a Gostar de MMO's

14:00:00 Escrito por Lucas Rodrigues , , ,
Meu primeiro contato com um MMO foi em 2005, na casa de um primo mais velho, com Ragnarok. Eu já mexia em computadores e jogava, mas aquele jogo apelou para um lado meu que ainda estava descobrindo na época. Eu gostava de explorar mundos. Portando um CD de instalação sem saber o quanto aquilo afetaria minha vida, voltei para a casa, feliz e faceiro.

Eu passei incontáveis horas em Ragnarok. Joguei ele mesmo quando se tornou pago, colocando créditos semanais, e quando ele voltou a ser gratuito. Vi várias expansões acontecendo, comprava as revistas. Eu vivi aquele mundo intensamente. Por esse relato, você que também jogou deve imaginar que eu deveria ter diversos personagens aura azul, alguns renascidos, que participava de clãs, das guerras e tudo o mais.

Desculpe te decepcionar, eu nunca cheguei a virar 2ª classe no servidor oficial.

Esse é o mapa onde tudo começou.
Não importa que eu passasse diversas horas naquele mundo, duas características me acompanhavam: a sede inexplicável por explorar cada canto dele, e a falta total de interesse pelo sistema do jogo. Agora, não me entendam mal, eu gosto de regras. Joguei Skyrim até começar a enxergar os números por trás do jogo. Ler, criar e modificar sistemas de RPG de mesa são um hobby a parte pra mim, separados de simplesmente jogar. Mas aquele mundo era tão vasto e interessante que eu não conseguia me divertir em simplesmente passar horas matando o mesmo tipo de monstro. Existia muito mais para ver.

Com isso eu adquiri um dos habitos mais estranhos que eu consigo imaginar para um jogador de MMO: morrer para chefões. Não intencionalmente, para preservar uma mínima impressão de sanidade sobre minha pessoa, mas sim porque eu dava um jeito de, em nível baixo, me enfiar nos lugares mais impossíveis, e isso invariavelmente me levava a morrer para alguma criatura muito forte. Eu imagino que essa mania tenha se dado a minha primeira morte em Rag, para uma Succubus conjurada por galho seco em frente a cidade principal.

Eu provavelmente tenho um lado masoquista devido e esse evento infeliz... Caham.

Com o tempo, entretanto, meu ânimo foi se perdendo. Aquele mundo não tinha mais coisas interessantes, ou eu comecei a criar senso crítico e me perguntar porque um jogo inspirado no fim do mundo nórdico tinha igrejas católicas, desertos, ilhas com temática oriental, e cenários industriais. No final, eu parti daquele jogo e fui para um novo.

Eu joguei uma boa quantidade de MMO's, e realmente me diverti em diversos deles. Grand Chase em seu início, Trickster, MapleStory, MU, Tibia, Priston Tale, etc. Joguei alguns por tão pouco tempo que nem me lembro os nomes, e já cheguei ao absurdo de baixar um jogo em coreano e aproveitá-lo por algum tempo pela semelhança com Rag.


Também me arrisquei em jogos mais novos. Warhammer, Lord of the Rings, Ragnarok 2, Dungeons & Dragons, e até mesmo tentei a versão de teste de World of Warcraft, mas infelizmente nenhum desses jogos me trazia de volta aquela sensação impactante do início. Eu largava a maior parte deles em pouco tempo graças a isso. Até que surgiu uma possível esperança no horizonte. Um jogo baseado em Dungeons & Dragons, completamente novo. Neverwinter me empolgou a ponto de puxar pessoas junto comigo para o vício.

Ver o jogo que tanto gosto servindo de ambiente para um MMO foi bem divertido, e mesmo que eu nunca tenha gostado de Forgotten Realms, a ambientação da Costa da Espada era instigante por ser desconhecida. Eu joguei Neverwinter a exaustão, absorvi as informações de cenário, e até mesmo joguei muito o PVP, coisa que não tinha feito antes em MMO's. Infelizmente, com o tempo, meu interesse foi diminuindo, principalmente graças a missões absurdamente difíceis que você encontra mais para frente. Até que troquei de computador, descobri que ele não rodava no meu novo e desisti completamente do jogo.

Claro que eu nunca perdi o interesse totalmente em MMO's. E agora eu tinha mais dois interessados. Comecei a observar jogos em produção, procurando alguma coisa que parecesse divertida, até que veio o anúncio que fez meus olhos brilharem: Guild Wars 2, um jogo do qual eu já tinha ouvido falar muito bem, se tornou gratuito. Claro, ele tinha algumas restrições, mas isso não me impediu nem um pouco de baixá-lo e convidar os amigos para jogar.

E meu deus, como eu fiquei arrependido de não ter comprado o jogo antes. Seu preço era alto de mais na época que tive o interesse inicial, então deixei com que ele passasse. Mas ao terminar de criar o personagem, voltei aos meus 10 anos de idade, maravilhado com aquele mundo novo e cheio de possibilidades e coisas para descobrir. Claro, nem tudo são flores, e eu detestei meu primeiro personagem, um charr guerreiro, a ponto de ficar desanimado. Mas então apaguei ele e fiz um asura necromante.

E eu lembrei o quanto gostava de jogar de mago. Minha tendência suicida foi anulada por uma classe resistente o suficiente para se virar sozinho e derrotar vários inimigos de uma vez. Armado com um cajado, meu pequeno necromante começou a explorar aquele mundo novo.

Não se deixem enganar pela cara de mal. Ele é um doce quando não está envenenando a fauna nativa.
E que mundo. Por todos os deuses, que mundo maravilhoso. Uma quebra tão maravilhosa do mundo de fantasia tolkieniana que tornou todos os elementos frescos e renovados para mim. Começando pela ausência de anões e elfos, e pela inclusão de diversas raças estranhas, exóticas e novas, cada uma com sua própria história e seus próprios problemas. O modo como a história pessoal do personagem é tratada também me impressionou, me fazendo sentir de verdade como se aquilo fosse escrito para meu pequeno asura.

E deixe-me falar dos asuras. Uma raça de inventores minúsculos, uma mistura de goblins e gnomos, sem o clima cômico dado a essas raças em outros jogos. Graças a isso, eles conquistaram minha simpatia e se tornaram a raça que mais gostei no jogo.

As classes são outra coisa que me agradou. Inicialmente, divididas entre as de armaduras leves, médias e pesadas, elas evitam os clichês chatos de papéis de MMO. Todas elas contam com habilidades de cura, de arma, e de classe. E mais para frente, com as especialidades, você pode tornar seu personagem uma máquina afiada para a guerra. Meu necromante age parcialmente como tanque para nosso grupo de jogo, já que ele tem mais de um jeito de evitar a morte, e de salvar os outros personagens.

Claro que como todos os jogos, existem coisas que me incomodam. Eu simplesmente desprezo o sistema de criação de itens do jogo, que acho sacal. E as vezes a quantidade de eventos dinâmicos chega a irritar de tão frequente. Mas isso não diminui nem um pouco o mérito dele.

Interpretem isso como uma indicação, também. Se você gosta um mínimo de fantasia, de exploração ou de MMO's, baixe Guild Wars 2 hoje mesmo. Eu garanto que você terá horas de diversão e conseguirá evoluir seu personagem sem grande esforço.

Tenha uma boa semana e até mais.

E eu vou voltar a aproveitar o jogo.