quinta-feira, 8 de outubro de 2015

[C] The Money of Soul and Possibility Control

12:00:00 Escrito por Lucas Rodrigues , , ,
Você está passando por dificuldades financeiras, e nem tem a quem pedir ajuda. Tem que se virar para sustentar seu apartamento, e para isso tem que trabalhar em dois empregos diferentes. Tudo o que você quer é uma vida normal, ter dinheiro o suficiente para viver bem e sustentar uma família. E então, do nada um estranho aparece te oferecendo a oportunidade de fazer alguns milhões de forma fácil. O preço? Participar de algumas negociações constantes e apostar o seu... “futuro”. Seja lá o que ele quer dizer com isso.

[C] The Money of Soul and Possibility Control, ou simplesmente C, é um anime de 2011 produzido pela Tatsunoko Production. O anime é uma obra original e possui 11 episódios.

História

O Japão acabou de sobreviver a uma grande crise financeira, mas a população continua em pessimas condições de desemprego e criminalidade. Yoga, um jovem criado pela tia após o desaparecimento do pai e a morte da mãe, trabalha para tentar manter uma vida estável. Tudo muda quando ele conhece uma figura estranha, que o convida para arriscar a sorte no Distrito Financeiro, uma dimensão paralela onde pessoas lutam pelo estranho dinheiro de Midas, notas negras que, ao olho de pessoas comuns, parecem a moeda corrente de seu país.


O anime apresenta uma quantidade razoável de conceitos, que podem ser confusos para quem acabou de entrar. Os lutadores são chamados de Empres, enquanto as criaturas que eles invocam para lutar são os Ativos. A luta acontece dentro de 666 segundos, e cada um dos ataque move quantidades de dinheiro da conta de um para o outro. A falência é ainda mais assustadora pois, além do dinheiro, ela tira da pessoa seu futuro e também o acesso ao Distrito.

Personagens

Esse trecho trará alguns spoilers do anime, então caso queira assistir, pule para a análise técnica:

Kimimaro Yoga é um jovem de 19 anos cursando faculdades graças a uma bolsa de estudos e trabalhando em 2 empregos para se manter. A renda dele é apertada, e por evitar sair para não gastar, ele é visto como alguém distante do resto da turma. Perdeu os pais muito cedo, e mais tarde acaba descobrindo que o pai foi a falência no Distrito e acabou se matando e sendo enterrado como indigente.

Quando Masakaki oferece a ele um empréstimo afirmando ser um investimento em seu “futuro”, o garoto inicialmente reluta em aceitar, mas acaba pegando o dinheiro e sendo lançado no Distrito para sua primeira luta, descobrindo do jeito mais duro que terá que participar dessas negociações para continuar tendo um futuro. Durante boa parte do anime ele ainda demonstra hesitação, principalmente por ter levado seu professor a falência em combate. Após isso, acaba entrando para a Guilda dos Estorninhos, visando ajudá-los em seu plano de manter o equilíbrio nas lutas, vencendo por pouco e minimizando os efeitos das derrotas na realidade. Mas após conhecer outro Empres, ele volta novamente ao estado de dúvida, coisa que irrita Msyu, que afirma que ele precisa de mais espírito de combate.

Msyu é o código único de 4 letras do cartão de Midas de Yoga, que deu o nome durante sua primeira luta. Ela sempre se irrita com a falta de espírito combativo do garoto e por se preocupar tanto com ela, já que como Ativa, Msyu se regenera rapidamente.

Apesar de consciente dos combates e de seus poderes como Ativa, Msyu em muitos momentos parece uma criança. Ela não entende o conceito de alimentação, já que Ativos não precisam disso. Também acha estranho o modo como Yoga a trata, vendo o relacionamento frio e apático entre boa parte dos outros Empres e Ativos. Por último, próximo ao fim, ela fica curiosa sobre um beijo que acontece em um filme, pedindo que o garoto beije-a, e recebendo respostas evasivas a isso.

Curiosidade: a Ativa do pai de Yoga era idêntica a Msyu, com exceção da cor do cabelo.

Souichirou Mikuni é uma figura peculiar. De mentor a vilão, de idealista a egoísta, provavelmente é o personagem mais desenvolvido durante o anime. Rico e influente não apenas no Distrito, é dono de uma grande empresa e o homem que sustenta a economia do Japão a todo o custo. Além disso, diferente de todos os outros Empres apresentados, ele tem três Ativos, e um cartão de Midas especial que permite ao seu usuário adquirir quanto dinheiro quiser em troca de 20 anos do próprio futuro.

Músico por muito tempo, ele acabou sendo obrigado pelo pai a largar a carreira para trabalhar na empresa da família. Seu único prazer parecia ser conversar com a irmã menor, que possuía uma doença horrível. Como o estado dela piorou, ele teria que mandá-la para um tratamento no exterior. Nesse mesmo período a empresa do pai passou por um uma crise, e o homem se recusou a mandar a filha para tratamento. Essa atitude fez Mikuni se fechar, tomando parte do império do pai através de negócios e assumindo o comando da empresa. Como modo de salvar o “presente” das pessoas, ele fundou a Guilda dos Estorninhos para que as lutas não afetassem tanto a realidade, e isso acabou chegando a pontos extremos, quando proteger a realidade para ele se tornou algo mais importante do que o bem-estar das pessoas.

Jennifer Satou é uma investigadora do Fundo Monetário Intarnacional responsável pelo Distrito no Japão. Ela demonstra grande interesse nos motivos pelos quais Mikuni quer que Yoga seja seu aliado. Controlada e observadora, vai muito mais ao Distrito para poder observar lutas, a circulação do dinheiro negro e seu efeito na realidade do que propriamente para lutar.

Ela é viciada em comer besteiras. Não demonstra interesse próprio no dinheiro de Midas, e usa as habilidades de seu Ativo Georges para vencer por pequenas diferenças. Ela se mostra uma boa aliada para Yoga, sacrificando-se no plano para deter Mikuni e transferindo seu Ativo para ele.


Análise Técnica

A série tem seus pecados na questão gráfica. Mesmo com o character design competente e lutas visualmente agradáveis, algumas das cenas do anime trazem os personagens em CG, que é mal feito em comparação a animação. Outros efeitos em CG, como o contador de dinheiro de Midas, a impressora e o efeito C também desagradam. Apesar disso, existem alguns detalhes positivos: no Distrito existem molduras flutuantes, e os Ativos, normalmente invisíveis, podem ser vistos ao lado das pessoas que caminham.

A questão da dublagem varia um pouco, com alguns personagens constantemente com o botão de emoção em Off. Mas as conversas entre Yoga e Msyu, ou o jeito bizarro de Masakaki e alguns outros secundários falarem salvam a dublagem japonesa. Sim, a japonesa. Em alguns momentos temos pessoas falando inglês, e santa mãe do céu, ouvir aquilo dói na alma.

Quanto a trilha sonora, não tenho uma opinião. Primeiro porque é algo que eu não costumo prestar muita atenção, e segundo, porque apesar de achar que as músicas em geral se encaixam com os momentos em que entram, não tem nada de marcante.

Conclusão

C é uma boa obra original. Tem grandes defeitos, mas faz um bom papel em divertir, desenvolver sua história e seus personagens. O desenvolvimento mexe muito com mudanças temporais, o que pode tornar o final confuso para algumas pessoas, entretanto, foi uma obra que me agradou bastante. 


Mad Hat... Digo, Misakaki, deseja uma boa semana a todos.