quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Criando Personagens de RPG

14:00:00 Escrito por Lucas Rodrigues , ,
Então você se interessou por RPG, encontrou um sistema simples, reuniu amigos interessados, jogou algumas partidas simples para entender como tudo funciona, e agora deseja fazer uma série de aventuras ligadas para construir uma história. Uma campanha.

Esse artigo será voltado para os jogadores, ajudando-os a construir bons personagens e laços entre eles para que a campanha flua melhor. Um mestre iniciante também pode se valer de algumas das dicas para melhorar a dinâmica do grupo. Note que se você pretende jogar partidas curtas e descompromissadas, esse artigo não ajudará muito, já que esse tipo de história não exige personagens muito bem desenvolvidos.

Saiba a Premissa da Campanha

A primeira e mais importante dica é igualmente importante para jogadores e mestre. Ao entrar em uma campanha, pergunte ao mestre sobre a premissa do jogo. Saber que a campanha é sobre uma tropa mercenária vendendo seus serviços em meio a uma guerra civil evita que alguém faça um herói caridoso que nunca cobra pelas suas ações. Mesmo que personagens diferentes e estranhos possam ser interessantes, o mestre sempre pode pedir para o jogador escolher outra coisa caso o conceito atrapalhe ou vá contra a premissa da história.

Evite Fazer o Lobo Solitário

RPG é um jogo social, e, a não ser por raras exceções, não existe um personagem protagonista em um grupo. A história é exatamente sobre isso: um grupo de pessoas e as coisas que elas estão fazendo. Evite então criar motivos para que seu personagem não se misture com o resto do grupo ou não queira se aventurar. Não existe problema quando o ladino vai na frente vez ou outra para procurar armadilhas, ou que o clérigo faça algumas das conversas sozinho com sua diplomacia alta, mas não tente ser o centro da atenção de cada uma das cenas, ou pior, querer separar o grupo a cada meia hora de jogo.

Quando o seu personagem for especialista em algo, lembre-se que o mestre não é o único que constrói a história. Incentive outros jogadores a participarem da sua cena, seja de forma secundária ou mesmo dando o destaque para eles. Mesmo que eles falhem, perder nem sempre é chato ou ruim.

Imagem por Lewinston
Se Você Fez um Aventureiro, Aventure-se!

O personagem atrapalhado ou destemido é o melhor amigo de uma narrativa interessante. O mestre não é seu inimigo e não está ali para te ferrar a cada ação. Ele está ali como você, querendo se divertir, e poucas coisas são mais divertidas para um mestre do que ver os jogadores fuçando pelo cenário que ele construiu. Isso não significa que você precise pular de cabeça em cada luta, ou ativar uma armadilha de propósito, mas explore o cenário e jogue sem medo. Deixe para interpretar o medo da morte quando você estiver mais próximo dela.

A não ser que seu objetivo seja fazer um personagem covarde. Nesse caso, seja covarde.

Clichês Não São Ruins

O clérigo do deus bondoso da cura, a cientista genial sem habilidades sociais, o veterano de guerra calado mas competente com uma arma na mão. Não ache que um personagem clichê é ruim, pois existe um motivo para uma ideia ser usada constantemente. Começar com um conceito conhecido e desenvolver o personagem a mais do que isso através da interpretação é sempre divertido. Claro, não existem problemas em criar um tipo de personagem estranho ou diferente dos padrões, desde que o personagem seja coerente e divertido de se jogar. Essa dica é para jogadores indecisos, que não sabem o que criar no início de um jogo, e tem medo de fazer um personagem e enjoar dele mais tarde.

Perguntas para Desenvolver um Histórico Interessante

As vezes é complicado criar um histórico. As ideias falham, ou você não consegue juntar tudo de forma coerente. Para isso, com o tempo eu acabei criando algumas dicas simples que ajudam na hora de fazer um histórico interessante e coeso:
  • Conte o motivo do personagem fazer o que ele faz hoje. Como ele aprendeu isso, e quem ensinou a ele?
  • Fale sobre três pessoas importantes na vida do personagem. Uma delas deve gostar dele e outra odiá-lo.
  • Fale sobre três coisas que representam muito para o personagem. Podem ser objetos, cicatrizes, ideais, etc.
  • Fale um objetivo imediato do personagem. Porque ele tem esse objetivo, e o que o impede de atingi-lo?
  • Fale qual é o objetivo de vida do seu personagem. Porque ele tem esse desejo?
Você não precisa se preocupar em usar todas elas. Use três e você provavelmente terá um personagem com muita história para contar.

Um histórico legal não se constrói com pressa, mas sim com polimento.
Não Impeça os Outros Jogadores de Tomarem Ações

Imagens por Fault Line
É chato ter suas ações cortadas por outros jogadores e ouvir um “Meu personagem não vai permitir que você faça isso”. RPG é um jogo de contar história, e histórias só acontecem quando as pessoas estão agindo para a narrativa continuar. Não impeça que o ladino roube algo, ou que o necromante use sua magia, ou que o guerreiro de um soco em alguém. Muitas vezes, a confusão gerada vai criar uma cena muito mais interessante e emocionante, e a tensão entre personagens pode gerar bons momentos de interpretação.

Da mesma forma, evite conflito interno a não ser que tenha certeza que as pessoas estão confortáveis com isso. Não ataque outro personagem de jogador porque você está com raiva dele, não roube os pertences de outros sem falar com eles antes (já que os jogadores e os personagens não tem o mesmo conhecimento). Uma postura de rivalidade entre personagens é sim divertida e interessante, mas só funciona quando as duas partes estão de acordo com isso.

Agora, com essas informações, vá preparar os seus personagens e começar uma campanha. Logo voltarei com mais dicas de RPG para vocês. Boas rolagens e boa semana.