quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Akame ga Kill!

12:00:00 Escrito por Lucas Rodrigues , ,
Akame ga Kill! é um mangá escrito por Takahiro e ilustrado por Tetsuya Tashiro, lançado em 12 volumes. Ele ganhou uma adaptação em anime de 24 episódios pela White Fox em 2014, e uma segunda série de animações curtas, também de 24 episódios, pela C-Station. Esse artigo vai tratar apenas da série animada principal.

Antes de começar o artigo propriamente dito, direi como foi minha experiência inicial com a série: acabei assistindo o primeiro episódio quase um ano antes de realmente decidir assistir o anime. Na época eu estava um pouco menos tolerante com entretenimento e, embora o primeiro episódio tenha me causado uma boa impressão, bateu uma sensação de déjà-vu. Uma personagem principal vestida quase toda de preto, meio calada e pagando de fodona, um mundo violento e cruel, e aquela pose toda dos personagens? Me trouxe um preconceito inicial muito forte.

Então, há algum tempo, a Nyu disse que estava assistindo. E então eu, resolvendo dar uma segunda chance para série, comecei também. Assisti os 3 primeiros episódios e, no dia seguinte, eu simplesmente não consegui parar, indo até o 20 e parando por estar quase morto. Terminei ainda no mesmo dia, depois de dormir um pouco.

História

A Night Raid é um grupo de assassinos, um dos braços de uma revolução que busca destruir o governo atual, derrubando o imperador - que é apenas uma criança - e seu primeiro-ministro, que o controla graças a sua ganância e sede de poder, enquanto o resto do império se afunda em pobreza e fome.

Tatsumi é um jovem viajante de uma vila pobre que segue para a capital do Império, junto com dois amigos, no intuito de ganhar dinheiro e melhorar a situação de seu povo. Depois de se perder dos amigos e chegar na capital, ele é enganado, perdendo todo o dinheiro que conseguiu pelo caminho, e mais tarde acaba entrando para a Night Raid. A história acompanha sua evolução enquanto encara o lado mais obscuro da capital, armas lendárias e poderosas, e os membros do alto escalão do exército imperial.

Parabéns a todos os envolvidos nessas artes. Elas são fodas.
Desenvolvimento

Caso pretenda assistir o anime e se importa com spoilers, pule para Aspectos Técnicos.

Akame ga Kill! tem cara de shounen, com o protagonista masculino já inicialmente forte treinando para se tornar ainda mais forte, vendo seu mentor morrer para o lado “do mal”, e lutando contra um sistema tirânico e opressor. Mas apesar da quantidade de clichês, ele consegue criar uma narrativa divertida de se acompanhar, sem desumanizar completamente os vilões, e colocando os heróis em um patamar cinzento.

Começando pelo personagem principal, é interessante vê-lo crescendo dentro da narrativa, inicialmente como um jovem sonhador, e se tornando mais e mais endurecido pelos eventos que presencia. Mesmo que tenhamos que acompanhar ele chorando pelos dois amigos mortos durante um tempo, isso não é usado de forma excessiva, e com o tempo ele transforma o respeito a seus companheiros caídos em combate em força para continuar em frente.

Akame, a protagonista feminina, não cai no clichê chato de personagem fodona inalcançável que se apaixona pelo protagonista (embora outra personagem venha a assumir esse papel). Mesmo durona e calada, sua história justifica essa atitude, e ela tem um lado amigável. Ela também tem ligação com uma das vilãs que mais me agradou na série. Sua irmã, uma assassina do governo, tem uma arma com a habilidade de controlar cadáveres, e deseja matar Akame para mantê-la junto a si, com outros dois amigos de infância que morreram.

Embora a guilda tenha outros personagens divertidos, isso me leva a um dos problemas principais da série: flashbacks são prenúncios de morte. Por meio de demonstrar a história de vida sofrida ou heroica de alguém 5 minutos antes dele morrer, o anime busca te fazer sentir a morte. Não é usado para todos, mas ocorre constantemente, a ponto de ser irritante. Apesar disso, você ainda consegue se afeiçoar aos personagens.

Entre os inimigos, temos a vilã principal da série, Esdeath. Pintada como um monstro assassino de sangue frio, ela é ironicamente uma das personagens mais bem desenvolvidas durante a série, e fácil de gostar apesar de sua frieza (HÁ) em combate, mesmo que boa parte desse desenvolvimento venha como alívio cômico quando ela se apaixona por Tatsumi. Sua sede de sangue também entra em contraste com a atenção que ela dedica a seus subordinados. Mesmo sabendo que eles são mais fracos, ela não os destrata ou os considera meras ferramentas para seu objetivo. O que se torna gritante quando ela revela seu objetivo.


Embora o final não possa ser considerado um ponto fora da curva, ele ainda é interessante, com um romance inesperadamente sutil, personagens morrendo em prol de seus ideais ou egoismo, e um encerramento que, apesar de mostrar a missão cumprida, deixa um gosto amargo na boca.

Aspectos Técnicos

A série tem uma arte boa, com character design bonito embora exagerado em certos pontos, e uma animação competente. Ele peca bastante na consistência do mundo, entretanto, dificultando no entendimento do espaço onde a série se passa, e misturando uma grande quantidade de referências visuais de forma torta. O cenário que inicialmente parecia uma fantasia medieval europeia com tons épicos, mostra também distritos japoneses medievais, inimigos com influência hindu, armamento pesado modernos, armaduras de tokusatsu, entre outras coisas. Tudo isso dentro de um único reino. Mesmo ajudando a dar destaque para cada um desses elementos, a união deles não forma um mundo coeso, o que poderia deixar o cenário mais interessante.

Apesar disso, tenho que dizer que eu gosto bastante do character design.
Como de praxe, não darei minha opinião sobre o aspecto sonoro, exceto para dizer que não gostei das aberturas.

Conclusão

Akame ga Kill! é uma história com um desenvolvimento divertido, mas com conteúdo geral raso. Embora ela tenha personagens legais de acompanhar, muitos elementos são incômodos. Eu me diverti assistindo, e recomendo caso você não se importe com uma história que se leva a sério de mais. Caso não tenha paciência para ver 24 episódios disso, existem coisas melhores para assistir.


Tenham uma boa semana!